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Caro Dinheiro

por Samy Dana

Perfil Samy Dana é Ph.D em Business, professor da FGV e escreve no caderno Mercado

Perfil completo

Mundo Econômico - 9 de Dezembro

Por Samy
09/12/12 07:00

Panorama Mundo

Por mais  parecer repetitivo ou monótono que possa parecer, os mercados mundiais continuam a refletir os riscos em relação ao abismo discal – fiscal cliff.

Nem a indicação de recuperação chinesa (o PMI do país veio em 50,5, melhor valor em 13 meses) foi capaz de melhorar os ânimos dos mercados.

As bolsas mundiais andaram de lado durante toda a semana.

Na Europa, a alta de 0,7% no setor industrial, acima do esperado, não animou os investidores que estavam abalados com a falta de um acordo sobre o supervisor bancário da União Monetária e com o anúncio espanhol de que o 4º trimestre será o pior do ano para a economia do país.

Nos EUA, além do impasse em relação ao fiscal cliff, houve a queda de 2,2% na produção industrial e queda no desemprego, para a surpresa do mercado. A criação de vagas de trabalho foi de 146 mil em novembro, bem acima do esperado: 80 mil. Além disso, o desemprego caiu de 7,9% para 7,7% no mesmo mês.

Panorama Brasil

No Brasil, o Ibovespa se descolou do mercado externo na segunda-feira (conforme gráfico), mas voltou a acompanhar as movimentações internacionais mesmo que com um pouco mais de volatilidade.

Na sexta-feira, com os dados de desemprego norte-americanos, o índice mostrou tendência de alta e ensaiou um rally.

Enquanto isso, o dólar mostrou tendência de desvalorização durante a semana e fechou a sexta-feira cotado a para venda. Essa mudança de tendência ocorreu devido a intervenções do BC, e a mudanças legislativas no financiamento para exportação.

Com a divulgação da ata do Copom, a curva de juros caiu e começou a precificar quedas na taxa Selic já no começo do ano que vem. Além disso, é importante destacar que também houve um corte da TJLP para o nível de 5%.

Quanto à inflação, o IPC-S veio em 0,45% para a quarta quadrissemana de novembro. O IGP-DI acelerou de deflação de 0,31% em outubro para inflação de 0,25% e o IPC-Fipe encerrou o mês em 0,68%.

Ademais, a variação do IPCA em novembro foi de 0,60%, acima da expectativa de 0,50%. Apesar disso e da queda na curva de juros., as expectativas de inflação pouco se movimentaram.

Expectativas da Semana

Na próxima semana, a bolsa deve continuar refletindo, mais uma vez, as incertezas em relação ao fiscal cliff.

Há possibilidade de alta devido ao comum rally de fim de ano, mas as dúvidas em relação aos EUA devem adiá-lo para o início do ano.

Enquanto isso, o dólar deve andar de lado já que os investidores parecem ter percebido qual é realmente a banda cambial aceita pelo Banco Central está entre R$ 2 e R$2,10

Espera-se um pouco de volatilidade no mercado de juros e de inflação, devido a reorganização das expectativas dos agentes econômicos em relação as novas declarações do BC de que há um hiato do PIB desinflacionário.

Post em Parceria com a Consultoria Júnior em Economia (CJE) da Fundação Getúlio Vargas de São Paulo. 


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Saiba como o título prefixado NTN-F funciona, parte 2

Por Samy
07/12/12 02:05

Em sequência apresentaremos, então, os cálculos que envolvem a NTN-F.

Lembrando que como esta parte é uma continuação da anterior, é interessante que tenha a parte 1 em mãos ou em mente.

Parte 2

A ideia é de deixar claro  como cada cálculo é realizado. Para isso, segue o passo-a-passo para facilitar o entendimento:

Primeiramente, o valor que sairá da carteira do investidor é o Preço Unitário do Título para Compra multiplicado pela Quantidade de Títulos adquiridos. De acordo com o exemplo, o valor de compra do título foi de R$ 1.033,65 e foi comprado somente 1 título, dessa forma, o valor total gasto foi de R$ 1.033,65.

Deste valor total despendido, será acrescido a Taxa de Negociação (0,1%) e a Taxa de Administração na Entrada (taxa que supomos, ou seja, 0,05%). Somando estas duas taxas ao valor gasto pelo investidor, haverá o Valor Investido Bruto que pode ser calculado da seguinte forma:

0,1% de R$ 1.033,65= R$ 1,03

0,5% de R$ 1.033,65= R$ 5,17

R$ 1.033,65 + R$ 1,03 + R$ 5,17 = R$ 1.039,85

O Valor Investido Bruto será, então, R$ 1.039,85.

Como calcular o valor do cupom semestral do título?

Antes de demonstrar os cálculos, lembre que o Cupom Semestral de Juros é de 10% a.a e este valor é dado pelo Tesouro.

De posse dessa informação, o cálculo do Cupom de Juros da NTN-F pode ser feito facilmente. Segue um passo a passo para melhor entendimento:

  • Passo 1

Primeiramente, deve-se encontrar a taxa semestral. Para isso, realiza-se a seguinte conta:

(1 + Taxa Anual) = (1 + Taxa Semestral) ^ 2

(1 + Taxa Semestral) = (1 + Taxa Anual) ^ ½

Taxa Semestral = [(1 + Taxa Anual) ^ ½] – 1

Considerando a taxa de 10% a.a., vem:

Taxa Semestral = [(1 + 0,1) ^ ½] – 1

Taxa Semestral = 0,048808

  • Passo 2

Para encontrar o valor bruto de cada cupom, multiplique a Taxa Semestral pelo valor nominal dos títulos, que é R$ 1.000,00. Segue a fórmula:

Cupom Bruto = 1000 X (0,048808)

Cupom Bruto = R$ 48,81

Este valor de R$ 48,81 refere-se ao valor bruto remunerado por cada um dos cupons. Resta agora, calcular o valor bruto da última parcela. Como já foi dito, a última parcela representa o valor nominal mais o valor do último cupom. Ou seja:

Última Parcela Bruta = Cupom Bruto + Valor Nominal

Última Parcela Bruta = 48,81 + 1000

Última Parcela Bruta = R$ 1.048,81

Para facilitar o entendimento, basta verificar novamente o fluxo de pagamento da NTN-F. Segue um exemplo:

Como o fluxo apresentado tem o objetivo de ilustrar o pagamento dos cupons

A cada semestre o investidor foi remunerado com um valor bruto de R$ 48,81 e, no vencimento ele recebe os R$ 48,81 mais o valor nominal do título, que é de R$ 1.000,00.

Mas como seria o fluxo de pagamento de acordo com os dados apresentados?

Para o exemplo dado, o fluxo é similar ao anterior. A única diferença está no número de cupons , no caso do exemplo, é de 21 . Ou seja:

O Preço de Compra seria, neste caso, de R$ 1.033,65  (se a memória falhar e não se lembrar deste valor, clique aqui).

A Data de Compra é 26/09/2012, ou seja, é a data em que o investidor efetivou a compra do título no valor de R$ 1.033,65.

Os números que estão embaixo de cada fluxo representam a quantidade de dias úteis passados. Ou seja, a partir da data de compra do título, o primeiro cupom está previsto para ocorrer em 64 dias úteis. Já no caso do vencimento do título (último cupom) são 2576 dias úteis.

Vale notar que, a cada semestre, o investidor será remunerado com um valor bruto de R$ 48,81.

Isso fará que ele receba 20 cupons contendo este valor, e um 21º cupom – e último – no valor de R$ 1.048,81 representando  valor nominal de R$ 1.000,00 mais os R$ 48,81.

Este último pagamento ocorre na data de vencimento, que no caso é 01/01/2023.

Note que independentemente do Preço de Compra , a NTN-F possui sempre cupons que remuneram a quantia bruta de R$ 48,81. Não se esqueça que destes R$ 48,81 ainda será descontado de taxas e impostos. Esta questão será explicada mais para frente.

Para descobrir o Valor Bruto dos Cupons e do Resgate, deve-se somar cada um dos Cupons Brutos (que possuem valor fixo de R$ 48,81) mais o Valor de Resgate. Segue a fórmula:

Valor Bruto dos Cupons e do Resgate = (Nº de cupons X Cupom Bruto) + Valor Nominal

Valor Bruto dos Cupons e do Resgate = 21 X 48,81 + 1.000,00

Valor Bruto dos Cupons e do Resgate = R$ 2.025,00

Agora, como dito,  precisa-se saber qual o valor real que o investidor recebe ao comprar um título de NTN-F.

Para não estender este post, os cálculos em questão serão abordados na parte 3.

Visando também a praticidade e interatividade do leitor para com estes títulos, divulgaremos no próximo artigo, como de costume, uma calculadora para a NTN-F.

Artigo em Parceria com Miguel Longuini, graduando em Administração de Empresas pela FGV-EAESP e Diretor Administrativo/Financeiro da CJE-FGV.

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O fim de um ciclo – parte II

Por Samy
06/12/12 07:00

Taxa de câmbio e Exportações

Ao reduzir a taxa de juros, o BC diminui o diferencial da taxa de juros doméstica com a mundial. Ao reduzir a taxa real de juros, portanto, o apetite estrangeiro por títulos da dívida brasileira diminui. Consequentemente, com menos dólares entrando no Brasil para comprar títulos públicos, o apetite por reais também cai, e a moeda nacional se desvaloriza.

Com a redução da Selic o governo também esperava desvalorizar o real, já que julgava, assim como a maioria dos economistas, que o real estava valorizado. Esta valorização estaria prejudicando as exportações brasileiras, principalmente a de manufaturados. Assim, através da taxa de câmbio, o governo esperava que as exportações fossem outro fator de crescimento para o PIB brasileiro.

O primeiro gráfico mostra que o governo foi bem sucedido ao tentar desvalorizar o real. Atualmente a taxa de câmbio flutua entre 2,0 e 2,1 R$/US$ e a expectativa é que continue assim durante 2012 e 2013, favorecendo os exportadores brasileiros.

No entanto, o segundo gráfico mostra que as exportações brasileiras estão em queda livre. As exportações brasileiras de bens, de janeiro a outubro deste ano, se comparadas com o mesmo período do ano anterior, caíram 4,61%.

Alguém poderia argumentar que as exportações caíram por causa da crise mundial, e não havia nada que o governo poderia fazer, outros países também sofrerão. No entanto, como o gráfico a seguir mostra, o desempenho das exportações brasileiras neste ano será muito pior do que aquele de economias desenvolvidas que sofreram com a crise do subprime, nos EUA, e com a crise do Euro.

Portanto, o que fica evidenciado é que não se pode culpar apenas o cenário econômico global pelo desempenho fraco das exportações brasileiras, que crescerão menos do que o esperado para as economias emergentes. Existem outros problemas estruturais (como infra-estrutura precária, educação de baixa qualidade e altos impostos) que afetam o desempenho das exportações e não podem ser mascarados através da manipulação da taxa de juros e da taxa de câmbio. Se o governo não focar em resolvê-los, o Brasil continuará a depender de uma alta na cotação das commodities para aumentar as suas exportações.

Esta versão possui parceria com Daniel de Lima e Leonardo de Siqueira Lima , graduandos pela EESP-FGV, e é uma extensão do texto publicado no jornal Perfil Econômico.
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Incentivos do governo para o setor imobiliário podem gerar apenas aumento das margens de lucro

Por Samy
05/12/12 14:13


Na manhã de ontem, o ministro da Fazenda, Guido Mantega, anuncioou medidas de estímulo à construção civil, como a desoneração da folha de pagamentos, a redução do Regime Especial de Tributação (RET) sobre o faturamento, a ampliação do limite do chamado ‘RET social’ e o aumento do capital de giro para empresas do setor.

Tais medidas animam os brasileiros que pensam em comprar imóveis, no momento, quer seja para habitação ou especulação, criando expectativas de queda nos preços que, atualmente, encontram-se em patamares muito elevados.

No entato, deve-se considerar que, em mercados concentrados, como o de construção civil, esses incentivos podem não ser revertidos em queda de preços, mas somente em aumento do lucro de construtoras e corretoras.

Isso acontece porque, naturalmente, ao adquirir bens de valor tão alto, as pessoas não pensam em seu valor absoluto, mas sim na parcela que terão que arcar. Assim, decidem pela aquisição verificando se a parcela cabe em seu bolso.

Com a redução da taxa de juros, que ocorreu recentemente, com o mesmo valor de parcela, as pessoas conseguem financiar um valor muito maior, assim, as construtoras têm incentivos a inflar o preço de seus imóveis, sabendo que eles serão igualmente atrativos, em função da manutenção do valor da parcela de seu financiamento.

Para que esses incentivos resultem na queda dos preços e maior facilidade de aquisição, é necessária certa regulação no setor, para que os benefícios não fiquem retidos no meio das transações.

Post em Parceria com Giovana Carvalho, graduanda em Economia pela FGV-EESP

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Instrumentos Financeiros nº12: Ouro

Por Samy
04/12/12 14:16

Quando estamos diante de incertezas políticas e econômicas, o ouro é uma boa alternativa para diversificação dos investimentos.

O ouro é um metal precioso que integra o mercado de renda variável, assim como as ações. Portanto, seu preço depende fundamentalmente da dinâmica entre compradores e vendedores.

Apesar de ser classificado dentro de um mercado de alta volatilidade, é considerado um dos ativos financeiros mais seguros, uma vez que muitos o vêem como reserva de valor.

No Brasil, o ouro é cotado em reais por grama e sua cotação segue os contratos negociados na Bolsa de Nova York. Desta forma, a cotação do ouro inclui, também, as oscilações da taxa de câmbio (real x dólar).

Diante disso, alguns investidores utilizam o investimento em ouro como forma de preservar o patrimônio em dólar.

Para investir em ouro, existem duas maneiras: o ouro físico ou os contratos negociados na BM&F BOVESPA.

O ouro físico, negociado em barras, pode ser adquirido em instituições financeiras de comercialização do metal como corretoras, distribuidoras e bancos.

O metal pode ser retirado diretamente no balcão da instituição financeira vendedora ou mantido em custódia nos agentes autorizados pelo Banco Central do Brasil (BACEN).

O investidor decide se levará o metal para casa ou deixará depositado em custódia nos agentes autorizados, que cobram uma taxa mensal pelo serviço. Esse serviço custa em média 0,07% por mês.

Os agentes autorizados a guardar o ouro no Brasil são Citibank, Santander, Brinks, Casa da Moeda, Banco do Brasil e Safra. Alguns agentes, para promover esse serviço, oferecem garantia de recompra diária do ouro

Os contratos negociados na BM&F BOVESPA só podem ser adquiridos junto às corretoras de valores que operem nesta modalidade. Nesse caso, existem os contratos padrão, de 250 gramas, e os fracionários para atender aos pequenos investidores.

O contrato negociado na BM&F BOVESPA garante um grau de pureza do metal de 99,9% e a bolsa se responsabiliza pela custódia. Os custos de corretagem (intermediação) e custódia (guarda e liquidação) são cobrados do investidor.

Ainda nos contratos negociados na Bolsa, o investidor pode resgatar o ouro físico e levá-lo para casa em seu vencimento. Neste caso, o investidor deverá procurar a corretora intermediadora e solicitar o resgate do metal junto a BM&F BOVESPA.

Somente são aceitos os resgates de 250 gramas ou valores múltiplos deste e uma vez retirado, o ouro deixa de ter padrão de negociação em ambiente da Bolsa e não é mais ativo financeiro, passando a ter o valor de um produto como outro qualquer.

Vale notar que por meio da BM&F BOVESPA, além da compra à vista, há também a possibilidade de negociação dos contratos de derivativos, mas eles são mais indicados para investidores experientes, em razão da sofisticação e complexidade.

O ouro tradicionalmente é um investimento defensivo, uma vez que em períodos de crise, ele geralmente preserva o patrimônio dos investidores

Em alguns casos, durante crises, o preço do ouro teve valorização, ao contrário da maior parte dos ativos. Assim, as turbulências financeiras que vivemos nos últimos tempos fizeram do ouro um dos mecanismos mais rentáveis.

Em relação à tributação, quando as operações forem realizadas em bolsas de valores, de mercadorias, de futuros ou pelas instituições integrantes do Sistema Financeiro Nacional aplica-se o tratamento tributário previsto para as operações de renda variável, tendo em vista tratar-se de ouro, ativo financeiro.

Neste caso  segue a mesma regra de tributação existente para a negociação de ações, por exemplo.

Vale observar que a rentabilidade estará isenta de Imposto de Renda Pessoa Física (IRPF) sempre que o valor total de venda dos contratos de ouro for inferior a R$ 20 mil reais por mês.

Apesar de ser um investimento seguro e uma reserva de valor consagrada para muitos, o ouro também é uma aplicação de risco, sujeita a importantes oscilações. Como todo ativo de renda variável, se a oferta for maior que a demanda o preço tende a cair e, portanto, ter ouro não é garantia de boa rentabilidade ao capital.

É possível acompanhar o mercado de ouro por meio de jornais e sites especializados ou ainda contar com assessoria de profissionais de investimentos.

Bons investimentos!

Post em parceria com Alex Del Giglio que é graduado em economia pela USP com extensão em finanças pela ESC Bordeaux e mestre em Administração pela FGV. Responsável pela área educacional da Prime Finance Investimentos AAI Ltda com sede em Manaus.


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Todos ganharem mal causa menos desconforto que só um ter bom salário

Por Samy
03/12/12 09:02

Todo ser vivo demonstra uma série de comportamentos inconscientes e padronizados comuns a toda a população: os instintos.

Dentre estes costumes, destaca-se o senso de justiça, alvo de inúmeros experimentos que buscam compreendê-lo e autenticá-lo.

Um dos principais testes empíricos para sua validação é o chamado “Jogo do Ditador”, uma simulação com dois indivíduos na qual o jogador A recebe uma quantia determinada de dinheiro e deve decidir, sozinho, como irá dividi-la com o jogador B, que aceitará qualquer montante oferecido.

A teoria econômica, que considera todos os seres humanos absolutamente racionais e individualistas, propõe que o jogador A ficará com todo o montante e deixará B sem nada. No entanto, o resultado médio deste teste contraria os economistas.

Na maior parte dos casos, o jogador A, mesmo sem conhecer B, exerce seu senso de justiça e divide o valor à metade ou próximo à ela.

Testes com animais confirmam esse instinto. Em casos de injustiça, a reação imediata é o declínio à novidade e a espera pela correção.

Esse comportamento é notado claramente no mercado de trabalho: funcionários de mesma função na empresa desejam ser remunerados igualmente e ter reajustes salariais proporcionais.

Enquanto há paridade entre os salários, todos estão em harmonia. Porém, qualquer desequilíbrio causa infelicidade e insatisfação geral. Por incrível que pareça, todos ganharem mal causa menos desconforto do que quando a maioria ganha pouco e apenas um é bem remunerado.

Segundo pesquisas, o senso de justiça está relacionado muito mais a emoções e à cultura do que à racionalidade do indivíduo. E nós brasileiros? Somos parecidos com os ideais da teoria econômica ou sabemos compartilhar?

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Mundo Econômico - 02 de Dezembro

Por Samy
02/12/12 07:00


Panorama Mundo

A semana passada foi marcada por vários eventos internacionais. No campo da diplomacia, a ONU aprovou a elevação do status da Palestina de “entidade observadora” para “Estado observador não membro” – uma grande vitória política dos territórios palestinos.

Nos EUA, foram abertas as negociações entre democratas e republicanos para que o abismo fiscal (fiscal cliff) seja evitado. Destaque para a proposta de Obama para que não haja mais o teto da dívida do país.

Atualmente, o congresso americano é quem determina o nível máximo da dívida, porém a elevação do mesmo, apesar de ser na grande parte das vezes necessária, gera conflitos políticos.

Na Europa, o Parlamento Alemão aprovou o pacote de ajuda à Grécia, que estende o prazo de pagamento das dívidas e diminui o montante de juros.

Enquanto isso, a Espanha declarou que não irá reajustar as aposentadorias em relação à inflação. A medida polêmica tem o objetivo de ajudar o país a atingir suas metas fiscais.

Na Ásia, o PIB da Índia cresceu 5,3% no terceiro trimestre (anualizado) contra uma a previsão de analistas de  5,2%.

As bolsas internacionais responderam essa notícias com incerteza, A semana começou em  em baixa, porém  mercados recuperaram durante a semana , fechando a sexta-feira com variação semanal próxima a zero.

Panorama Brasil

No Brasil, o Copom manteve a meta da taxa Selic em 7,25% como previsto. Além disso, foi divulgado o crescimento do PIB no terceiro trimestre: 0,6% em comparação com o trimestre anterior.

O dado frustou as expectativas do mercado que eram de 1,2% capturadas pelo  IBC-Br  – Índice de Atividade Econômica do Banco Central.

O mercado nacional acompanhou o tom de dúvidas externo e a bolsa brasileira fechou a semana com variação de -0,17%.

Esse cenário deu força ao dólar que se valorizou e fechou a semana em R$2,1307. A busca por investimentos mais seguros e a falta de intervenções do BC contribuíram para essa alta.

Quanto à inflação, o IGP-M registrou deflação de 0,03% em novembro. O IPC-Fipe desacelerou de 0,70% para 0,64% na terceira quadrissemana.

As expectativas de inflação continuam prevendo a inflação anual acima de 5,4% para 2012 e 2013.

Expectativas da Semana

Na próxima semana, a bolsa deve continuar sem tendência visível, pois os PMIs chinês e europeu, que serão divulgados, devem, respectivamente, aumentar e frear a confiança dos investidores.

Com o crescimento abaixo do esperado, investidores podem diminuir suas apostas nas empresas que dependem do consumo interno, causando quedas.

A esperança dos investidores locais recai sobre as exportadoras,  Se o dólar continuar se valorizando, o que a CJE-FGV acredita que será a tendência se o BC não voltar a intervir, o mercado deve ter mais atenção com os papéis dessas empresas. Empresas importadoras, como a  Petrobrás, devem ser evitadas.

A curva de juros deve continuar precificando a manutenção da taxa de 7,25% até o fim de 2013.

Se o mercado vir o crescimento divulgado como sinal de que a recuperação está longe, as expectativas de inflação também devem cair.

Post em Parceria com a Consultoria Júnior em Economia (CJE) da Fundação Getúlio Vargas de São Paulo. 

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Esperança no petróleo

Por Samy
01/12/12 12:14

Uma boa notícia alegrou os brasileiros na tarde de ontem. A presidente Dilma sancionou o projeto de lei que veta a redistribuição dos royalties do petróleo para áreas já licitadas.Com relação às novas concessões, ficou decidido que 100% dos royalties serão destinados à educação.

Essa medida dá esperança à população, que percebe quão lacônica é a educação brasileira. Obviamente, o repasse de verbas não significa nada sem probidade de sua destinação e sem investimentos consistentes para a melhoria da qualidade do ensino, mas a preocupação demonstrada, por si, anima os brasileiros.

O ministro da Educação disse que só ” a educação fará o Brasil uma nação desenvolvida” e, efetivamente, tal resolução afasta o medo de que o petróleo, na condição de commodity, não tenha promovido nenhum desenvolvimento, quando esgotado.

Pode-se dizer, até mesmo, que essa medida atenua o temor de que o país também padeça da “doença holandesa”, que consistiu em um declínio do setor manufatureiro frente à vantagem comparativa da exportação de recursos naturais. A educação seria um fator crucial para isso, estimulando a ascensão de outro setores econômicos e da diversificação da economia brasileira.

É prazeroso perceber que o Brasil acena com resoluções mais maduras e indicativas de maior grau de desenvolvimento, como essa ou a paulatina redução da taxa básica de juros. Há ressalvas e melhorias a serem feitas, claro. Mas, mais importante que isso, há esperança!

Post em Parceria com Giovana Carvalho, graduanda em Economia pela FGV-EESP

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Saiba como o título prefixado NTN-F funciona, parte 1

Por Samy
30/11/12 03:10

Prosseguindo com os artigos sobre o Tesouro Direto, o post de hoje apresenta um título que possui uma forma de pagamento um pouco diferente do que foi visto até agora (LTN e LFT). Trataremos das Notas do Tesouro Nacional, série F, popularmente conhecidas como NTN-F.

Definições Gerais

Este título possui cupons semestrais, além do pagamento do valor nominal, realizado no final, na data de vencimento.

O investidor recebe juros semestralmente de acordo com estabelecido pelo Tesouro na data de emissão. As NTN’s vigentes pagam 10% a.a. (equivalente a 4,88% ao semestre).

A NTN-F é um título pré-fixado, ou seja, o investidor conhece todos os valores dos recebimentos na emissão. Em outras palavras, não há atualização no valor nominal.

Diante disso, ao comprar o título, o investidor conhece a rentabilidade que irá receber. Deve-se lembrar de que os preços da NTN-F, assim como os demais negociados pelo tesouro, podem ser negociados com ágio ou deságio de acordo com a oferta e demanda.

Quando o preço está com ágio (leia acréscimo), o retorno desse título fica menor do que o estipulado na emissão. De forma análoga, quando o preço de um título está com deságio (leia desconto), o investidor irá receber, na NTN-F, uma taxa maior do que a Taxa de Cupom, no caso, de 10% a.a. ou 4,88% a.s..

Geralmente, os preços são expressos em termos de taxa, ou seja, quando o preço de uma NTN-F estiver expresso como (-0,04%) significa que o título está com ágio e remunerará ao investidor com Taxa de Cupom menos 0,04%.

O ágio ou deságio são decorrentes da oferta e demanda por títulos e do cenário macroeconômico do país.

Fluxo de Pagamento

A seguir, o desenho geral de um exemplo de fluxo de pagamento da NTN-F:

O “Total Investido” expressa a quantia total gasta pelo investidor na compra do título. A data de compra nada mais é que o dia em que o título foi comprado.

O pagamento de cupom ocorre a cada seis meses a partir da data de emissão do título. No caso da NTN-F os pagamentos ocorrem no primeiro dia de cada semestre do ano (01/01/20xx e 01/07/20xx).

Vale dizer que os investidores que compraram na emissão receberão seus cupons de seis em seis meses a partir da data de compra. Já os que compram o título após a data podem receber o primeiro cupom em menos tempo, claro que os valores dos cupons estão sempre embutidos no preço.

No vencimento o investidor recebe, além do cupom, também o valor nominal, ou seja, R$ 1.000.

Vale lembrar que, assim como nos demais títulos do tesouro, há incidência do IOF e do IR sobre a NTN-F, isso faz com que o valor efetivamente recebido pelo investidor seja diferente do valor teórico de resgate, neste caso, cupom mais o valor nominal.

A cada fluxo de pagamento (cupom) há incidência do IR. Esta é uma das explicações para que o investidor não receba o valor bruto dos pagamentos semestrais.

No 2º artigo da série Em Busca do Tesouro Direto, foi detalhado o funcionamento destes impostos, caso o leitor não se recorde.

Títulos Disponíveis

Hoje, as seguintes séries de NTN-F estão disponíveis:

  • NTN-F 010113 título que vence em 01 de janeiro de 2013
  • NTN-F 010114 título que vence em 01 de janeiro de 2014
  • NTN-F 010117 título que vence em 01 de janeiro de 2017
  • NTN-F 010121 título que vence em 01 de janeiro de 2021
  • NTN-F 010123 título que vence em 01 de janeiro de 2023

Caso tenha alguma dificuldade nas terminologias, leia o primeiro artigo da série.

Exemplo de Investimento

Seguindo para o exemplo prático de um investimento em NTN-F.

Considere a compra do seguinte título: NTN-F 010123

O investidor encontrará ao realizar a compra de um título NTN-F as seguintes informações:

Data da compra: 26/09/2012

Data de vencimento: 01/01/2023

Quantidade de Títulos: 1,0

Preço Unitário do Título para Compra: R$ 1.033,65 (lembrando que neste valor já está incluída a taxa de compra).

Preço Unitário do Título para Venda: R$ 1.029,96

Preço Total de Compra (Valor Investido Líquido): R$ 1.033,65 (este valor é encontrado multiplicando-se o preço unitário de compra pela quantidade de títulos).

Taxa (a.a.) Compra: 9,87% (taxa bruta anual).

Taxa (a.a.) Venda: 9,93%

Dias úteis entre a data de compra e a de venda: 2576 (ou seja, descontando finais de semana e feriados, o título ainda tem uma vida de 2576 dias até o vencimento).

Taxa de negociação: 0,10% (pagos no ato da compra do título).

Taxa de custódia: 0,3% ao ano (pagos semestralmente).

Taxa de corretagem (administração do banco/corretora): 0,5%

Nos próximos posts serão abordados os cálculos e mecanismos que envolvem um investimento em NTN-F. Será divulgado, também, e em breve, a calculadora.

Lembrando que o leitor deve ter em mãos a parte 1, pois os próximos posts da NTN-F serão baseados neste.

Artigo em Parceria com Miguel Longuini, graduando em Administração de Empresas pela FGV-EAESP e Diretor Administrativo/Financeiro da CJE-FGV.

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O fim de um ciclo – parte I

Por Samy
29/11/12 07:00

Os dias 27 e 28 de novembro representaram o fim de um ciclo. Nestes dois dias os membros do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central se reuniram para definir a a taxa Selic – e ela continuou nos atuais 7,25% ao ano.

O mercado financeiro já confiava que a taxa permaneceria a mesma. Na ata da última reunião, quando a taxa Selic foi reduzida de 7,5% para 7,25%, o BC apontou que “o cenário prospectivo para a inflação ainda comportava um último ajuste nas condições monetárias”. Ou seja, o período de cortes havia acabado.

Os cortes começaram em agosto de 2011, quando o BC surpreendeu a todos e reduziu a taxa Selic dos então 12,5% para 12% ao ano. Passados 15 meses e um queda acumulada de 5,25% pontos percentuais na taxa Selic, chegamos ao fim do ciclo.

Para avaliar esta empreitada, faremos uma retrospectiva (neste e nos próximos dois posts) do que aconteceu nestes últimos meses.

Crescimento do PIB

Uma das razões dos cortes, senão a principal, foi tentar estimular o crescimento em meio a uma crise mundial.

Como podemos ver no gráfico acima, a redução da Selic não conseguiu reverter a tendência de queda do crescimento do PIB.  No terceiro trimestre de 2011 o crescimento acumulado nos últimos quatro trimestres estava em 3,73%, enquanto no segundo trimestre de 2012 esta taxa estava em 1,19%.

Mais importante, a redução histórica não afetou a projeção de crescimento do PIB de 2013. No relatório Focus de  agosto de 2011 a previsão para o crescimento de 2013 era de 4,5%, enquanto no último, do mês de novembro, a previsão era de um crescimento de 4%. Ou seja, apesar do corte gigantesco na taxa Selic, a taxa de crescimento do PIB caiu, assim como a sua expectativa para o ano de 2013.

Isto pode ser explicado pelo fato de as famílias brasileiras estarem cada vez mais endividadas e não haver espaço para aumento do consumo via expansão do crédito, mesmo que ele agora apresente taxas mais baixas de juros. Resultado: o consumo não consegue ser mais a locomotiva do crescimento, como foi no governo Lula.

Esta versão possui parceria com Daniel de Lima e Leonardo de Siqueira Lima , graduandos pela EESP-FGV, e é uma extensão do texto publicado no jornal Perfil Econômico.

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