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Caro Dinheiro

por Samy Dana

Perfil Samy Dana é Ph.D em Business, professor da FGV e escreve no caderno Mercado

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O fim de um ciclo – parte III

Por Samy
20/12/12 08:56

Inflação

Se a redução da Selic não fez com que o PIB crescesse, já que não afetou suficientemente o consumo, investimento e as exportações, outro efeito foi bem claro: inflação acima da meta.

O gráfico mostra que a inflação nos últimos meses vêm se mantendo consistentemente acima da meta, de 4.5%, e até ultrapassou o limite superior da banda, de 6.5%, por alguns meses.

Para 2013, a expectativa é que a tendência continue a mesma: o último relatório Focus aponta uma inflação esperada de 5.6%.

Somando tudo

No final do ciclo de corte de taxas de juros, o que concluímos é que a política monetária foi ineficiente: o governo não conseguiu incentivar o crescimento do PIB, apesar de ter visto a inflação aumentar.

O maior legado do corte da Selic, provavelmente, é que o governo está forçando o mercado financeiro a parar de se apoiar apenas no retorno dos títulos públicos. Agora, para se obter um retorno razoável acima da inflação, os investidores terão que buscar outras forma de investir o seu dinheiro, o que favorecerá a economia no longo prazo.

Agora que o BC se comprometeu a mantar a taxa Selic inalterada nos próximos meses, o governo precisará usar novas armas para incentivar o crescimento, se quiser evitar outro crescimento pífio em 2013.

Para ler os posts anteriores sobre “O fim de um ciclo” partes I e II acessem os links abaixo.

O fim de um ciclo – Parte I
O fim de um ciclo – Parte II 

Post em  parceria com Daniel de Lima e Leonardo de Siqueira Lima , graduandos pela EESP-FGV.

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Crédito Habitacional resulta em aumento do nível de preços

Por Samy
19/12/12 03:00

Muito temos comentado nessa coluna acerca dos imóveis, da especulação sobre eles, da eventual existência de uma bolha. Citamos, recentemente, a presença de uma pressão por parte dos compradores anteriores para a elevação contínua de seu preço.

Estudos recentes, no entanto, apontam para a existência de outro fator que contribui para a elevação dos preços: a facilidade de acesso a crédito habitacional.

O governo brasileiro tem promovido fortes incentivos ao setor através de investimentos por meio do programa Minha Casa, Minha Vida, associados a uma política monetária expansionista.

Assim, a participação do crédito habitacional sobre o montante dos empréstimos totais tem crescido, chegando a 24,6% em outubro. Embora tal percentual seja ainda inferior ao crédito pessoal (25,9%), ele é expressivo e tende a tornar-se o mais relevante, segundo projeção da Serasa Experian.

Até outubro de 2012, um montante de R$66,2 bilhões foi emprestado sob a forma de crédito imobiliário.

Para explicitar o aumento de preços que decorre dessa expansão do crédito imobiliário, fazemos uso do índice Fipe-Zap, que releva aumento no nível de preços de 1,1% em outubro e 1,2% em novembro, em São Paulo.

Não questionamos aqui o volume de créditos concedidos no Brasil. Em países mais desenvolvidos, o percentual de empréstimos relativos ao PIB é ainda maior. Questionamos, aqui, suas finalidades.

Sabe-se que, quando os créditos são voltados muito mais ao consumo do que a investimentos produtivos, o resultado é inflação alta e crescimento pífio, como observado no Brasil em 2011 e neste ano.

Post em Parceria com Giovana Carvalho, graduanda em Economia pela FGV-EESP

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Poupar sem estratégia é abdicar da vida

Por Samy
18/12/12 08:00

Semana passada, o Wall Street Journal (WSJ) publicou uma matéria mostrando a importância do tempo e o poder dos juros nos rendimentos das nossas poupanças. Para isso ele comparou duas situações: um jovem iniciando um poupança aos 25 anos e um adulto iniciando uma poupança ao 45 anos, como vemos pelo quadro a seguir.

O jovem, apesar de depositar metade do valor do adulto por mês, o faz pelo dobro do tempo, dessa forma, ambos poupam a mesma quantia de R$24.000. O gráfico abaixo está alinhado com uma das frases mais célebres do Einstein: “Os juros compostos são a força mais poderosa do universo”.

Interessante notar que o jovem consegue praticamente o dobro em rendimentos do que o adulto poupando a mesma quantidade total de R$ 24.000. Isso se deve principalmente, aos juros que ele obtém, já que no primeiro caso incide sobre 40 anos e no segundo sobre 20 anos.

Vale uma reflexão que não foi feita pelo WSJ. Imagine que o jovem ganhe R$ 1.000 por mês, e portanto os R$ 50 que ele poupa representam 5% de sua renda. Este jovem deve abdicar muitas coisas da vida para ter que guardar esse 5% da sua renda todo mês.

Para o adulto, vamos supor um salário 4x maior, é provável que dos 25 para os 45 anos uma pessoa consiga aumentar o seu salário nessa proporção, neste caso, de R$ 1.000 para R$ 4.000.

Sendo assim, esses R$ 100 poupados significam apenas 2,5% da renda desse adulto, ou seja, ele tem que abdicar bem de outras coisas do que o jovem que começou a poupar no auge da vida adulta aos 25.

Dessa forma, vamos fazer um ajuste que o WSJ não fez. A simulação a seguir considera que o adulto poupa a mesma proporção do que o jovem, ou seja, 5% da renda. Neste caso então, o adulto começaria a poupar 200 reais a partir dos 45 anos (5% de sua renda) e vemos o seguinte resultado:

O adulto apesar de começar a poupar mais tarde, consegue um montante maior ao final do período. Por incrível que pareça, poupar quando se é jovem nem sempre é uma boa estratégia, pois você irá poupar pouco (dado que ganha pouco) e para isso deve abrir mão de muito. Sem contar o fato de que é mais custoso poupar 5% com uma renda de R$ 1.000 do que com uma renda de R$ 4.000.

Antes de fazer uma estratégia de poupança, é fundamental se indagar se a renúncia do consumo no presente vale o prazer do consumo futuro que incorpora juros. Em muitos casos, mais vale começar a poupar mais tarde quando se tem um salário maior e, portanto, isso significa menos renuncias na vida!

Post em  parceria com Daniel de Lima e Leonardo de Siqueira Lima , graduandos pela EESP-FGV.

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Campeão de inadimplência, cartão de crédito exige cuidados no fim do ano

Por Samy
17/12/12 09:39

O mundo moderno conta com ferramentas financeiras variadas para facilitar a vida do comprador. O cartão de crédito é a principal delas. Tem desbancado seus concorrentes e vem ganhando destaque no mercado.

No entanto, as opiniões se dividem quanto a seus efeitos. Enquanto muitos o consideram um grande amigo, outros o têm como o pior dos males.

Não há consenso sobre o assunto, mas é fato que diversos usuários do cartão de crédito ultrapassam tanto o limite que ficam incapazes de sanar suas dívidas. Os dados do Banco Central mostram que o cartão é o campeão de inadimplência. Cerca de 30% dos créditos concedidos estão em atraso.

De certa forma, o cartão de crédito funciona como um automóvel: em mãos certas, leva seu usuário a diversas realizações. Quando utilizado sem controle, pode causar estragos de dimensões inimagináveis, uma espécie de suicídio financeiro.

Consumidores que não pagam o valor total da fatura entram em uma batalha contra uma taxa de juros que pode exceder 200% ao ano, muito superior aos atuais 7,25% da Selic (taxa básica de juros).

A dificuldade de controlar os gastos com cartão está ligada à comodidade e à impressão de segurança. O fato de não ser necessário contar o dinheiro gera um falso alívio no consumidor, que muitas vezes não se preocupa em marcar os gastos que efetuou.

Às vésperas do Natal, ainda dá tempo de parar e pensar antes de se enrolar. Para evitar surpresas com a chegada da fatura, o usuário do cartão pode criar mecanismos de prevenção, como anotar todos os gastos com cartão de crédito e não ultrapassar sua capacidade de pagamento.

Dessa forma, o cartão poderá se tornar um aliado, sendo possível tirar proveito da ausência de juros até a data do vencimento e de eventuais programas de pontos.

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Mundo Econômico - 16 de Dezembro

Por Samy
16/12/12 07:00

Panorama Mundo

Novamente, o foco da semana foi os Estados Unidos.  A negociação para evitar o fiscal cliff* continuou e foram obtidos avanços como a diminuição, no plano proposto por Obama, da arrecadação de impostos.

Ainda nos EUA, o FED* anunciou novas medidas de estímulo. Após encerrar a Operação Twist*, o órgão divulgou que irá estender o seu plano de compra de títulos públicos como forma de continuar reduzindo os juros de longo prazo e estimular a economia.

Na Europa, foi divulgado que a produção industrial caiu 1,4% em outubro na comparação com setembro. O presidente do Eurogrupo, Jean-Claude Juncker, disse que os credores oficiais da Grécia concordaram com a liberação de 49,1 bilhões de euros ao país – parte do plano de recompra de dívida grega.

A resposta dos mercados a essas notícias foi variada. As bolsas norte-americanas andaram de lado enquanto que as bolsas europeias tiveram viés de alta, assim como a chinesa.

Panorama Brasil

No Brasil, o Ibovespa subiu 1,91% na semana. Os motivos forma as altas da Vale e Petrobrás e o maior otimismo com o novo estímulo monetário do FED.

Na sexta-feira, foi divulgado o IBC-Br* que mostrou avanço de 0,36% em outubro frente a setembro. A alta foi maior que o esperado e pode indicar o início de uma recuperação econômica.

O dólar fechou a semana em R$2,085 para a venda. A moeda teve tendência de baixa durante a semana por conta de discursos de diretores do Banco Central que afirmavam que a moeda americana estava muito valorizada.

Essas afirmações também fizeram com que o mercado voltasse a crer no maior combate a inflação. Assim, as expectativas para os juros futuros aumentaram e a curva de juros se elevou.

Em relação à inflação, o IPC-S indicou variação de 0,63% para a primeira quadrissemana de dezembro.

Expectativas da Semana

Na próxima semana, dados, como a prévia do PIB norte-americano do terceiro trimestre, devem guiar as bolsas, que ainda continuarão preocupadas com o fiscal cliff.

No Brasil, maiores movimentações só devem ocorrer após relatório trimestral de inflação que será divulgado na próxima quinta pelo BACEN. As conclusões do relatório irão influenciar diretamente as expectativas de inflação e a curva de juros.

Enquanto isso, o dólar deve continuar perto de R$2,08, valor que é considerado o ponto de equilíbrio no mercado atualmente. As intervenções e declarações do BC deixaram claro que há tanto um chão como um teto para o dólar.

*Dicionário Economês-Português

A partir de hoje, todo texto da coluna “Mundo Econômico” contará com este breve dicionário para facilitar a vida dos leitores não habituados com os termos mais técnicos.

Fiscal cliff (abismo fiscal) – Aumento de impostos e corte de gastos governamentais automáticos previstos para ocorrerem no início de 2013 nos EUA. Se realmente ocorrer, o país pode entrar em outra recessão.

FED (Federal Reserve) – Banco Central norte-americano.

Operação Twist – Plano de compra e venda de ativos do FED que tem como objetivo alterar a maturidade média dos títulos públicos possuídos pelo FED. A ideia é que essa mudança leve a reduzir os juros de longo prazo.

IBC-Br (Índice de Atividade Econômica do Banco Central) – Índice calculado pelo Banco Central que tem como objetivo tentar prever o desempenho futuro da economia brasileira.

Post em Parceria com a Consultoria Júnior em Economia (CJE) da Fundação Getúlio Vargas de São Paulo.

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Renda e Felicidade

Por Samy
15/12/12 02:00

Apesar da maioria dos países terem assistido, nas últimas décadas, um aumento expressivo na renda real e nos níveis de saúde e educação, muitos economistas têm criticado as políticas publicas que têm sido traçadas.

Diversas pesquisas a respeito da felicidade humana foram feitas, e seus dados evidenciaram, estranhamente, que o progresso economico-social dos países não tem levado a índices maiores de felicidade entre as pessoas.

Nos Estados Unidos, por exemplo, apesar de ter havido um expressivo aumento do PIB per capita, a felicidade média das pessoas permaneceu relativamente estável, entre 1975 e 1997. O índice foi calculado a partir de pesquisas que solicitavam a diferentes americanos que respondessem à pergunta: “No todo, como você diria que as coisas estão hoje em dia – você diria que você é (3) muito feliz, (2) razoavelmente feliz, ou (1) não muito feliz?”

Fonte: Di Tella, Rafael e MacCulloch, Robert J. (2006). “Some uses of happiness data in economics”, Journal of Economic Perspectives, 20(1), Winter.

Ao mesmo tempo que um aumento do PIB per capita de um país não levou a maiores níveis de felicidade, quando analisamos os dados populacionais de um único ano, notamos que pessoas mais ricas são significativamente mais felizes do que as mais pobres.

Fonte: Di Tella, Rafael e MacCulloch, Robert J. (2006). “Some uses of happiness data in economics”, Journal of Economic Perspectives, 20(1), Winter.

É interessante notar que, enquanto, as pessoas mais ricas dentro de um país são mais felizes do que as mais pobres, quando o país inteiro enriquece, o nível de felicidade média permanece constante. Esse contrassenso rececebu o nome de Paradoxo de Easterlin.

Uma das explicações ao paradroxo é que os indivíduos se adaptam à novos níveis de renda, mas não à sua posição relativa na sociedade.

Assim, um indivíduo que enriquece fica mais feliz apenas se melhora de vida em relação aos demais cidadãos. No entanto, quando a renda de todos aumenta, as exigências materiais da população também crescem e o nível de felicidade médio permanece o mesmo.

Por exemplo, uma pessoa que vive hoje com um salário mínimo tem melhores condições de vida que um rei do século XV: a expectativa de vida aumentou, a chance de ser assassinado caiu, a alimentação é mais rica e diversificada, as condições de higiene e transporte melhoraram, o acesso ao entretenimento cresceu etc. Apesar disso, o individuo provavelmente não se sente como um rei por uma questão relativa; ao se comparar com alguém de classe mais elevada, ele se sente mal.

De forma resumida, o resultado sugere que as pessoas não estão preocupadas apenas com o seu jardim. Pelo contrário: elas tendem a observar a grama dos demais indivíduos no seu país e no mundo para avaliarem seu estado de felicidade.

Existe até uma palavra em alemão que, de certa forma, traduz esse conceito: Schadenfreude. O termo, que passou a ser usado em outras línguas, indica a alegria que se sente ao ver a infelicidade dos outros.

Easterlin explica que é por conta dessas exigências materiais móveis que a felicidade de uma série de países não tenha aumentado nas últimas décadas, apesar do crescimento da renda sobretudo nos países ricos.

Já nos países mais pobres, a teoria de Easterlin parece não ser aderente. Estudiosos do tema sugerem que um incremento na renda nacional pode levar à níveis maiores de felicidade. A Índia, por exemplo, viu entre 1962 e 2008 um aumento de ambos os indicadores entre seus cidadãos – renda e felicidade –, o que, de certa forma, indica que essa hipótese possa ser verdadeira.

Apesar de ainda haver muitas dúvidas a respeito da relação entre o sucesso da economia e a felicidade das pessoas, uma coisa é certa: muito do que se pensava a respeito da maximização do bem-estar e do funcionamento da economia pode estar equivocado.

Tentou-se encontrar outras variáveis que pudessem relacionar-se positivamente com a felicidade, mas IDH, tempo de lazer, crime, expectativa de vida entre outras também não tiveram sucesso em explicar os níveis de bem-estar.

 É fundamental que os países busquem compreender mais o assunto, ou correm o risco de estarem desenhando políticas econômicas e sociais que sejam inferteis no sentido de aumentar a felicidade de sua população

Post em Parceria com Bruno Sindicic, graduando em Economia pela FGV-EESP e em Administração de Empresas pela FGV-EAESP e Conselheiro Consultivo da EJ-FGV.

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Pagamento de impostos no Brasil é um investimento sem retorno

Por Samy
14/12/12 01:23

Um estudo divulgado pelo Instituo Brasileiro de Planejamento Tributário (IBPT) mostra o retorno da carga tributária de diversos países em forma de qualidade de vida.

Segundo a metodologia do estudo, dentre trinta países, o Brasil amarga a última posição no Índice de Retorno De Bem Estar à Sociedade, que é uma média ponderada da carga tributária de cada país com o Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) da Organização das Nações Unidas (ONU).

Países como Austrália, Estados Unidos e Japão possuem os melhores retornos dos seus impostos, enquanto países como Argentina e Uruguai estão numa posição intermediária.

Embora o estudo do IBPT analise de forma satisfatória o problema da inefiência da máquina estatal brasileira, existe uma forma mais fácil e intuitiva de comparar a carga tributária e o IDH de cada país.

O gráfico a seguir relaciona a carga tributária, como porcentagem do PIB (dados extraídos do 2012 Index Economic Freedom da Heritage Foundation), e os 87 países que tem IDH “alto” ou “muito alto”, segundo classificação da ONU .

Diante do gráfico, pode-se observar uma correlação positiva entre carga tributária e IDH. Isto é esperado, já que melhorias em educação, saúde, segurança, etc., custam caro e, portanto, os impostos devem ser maiores para que o governo consiga arcar com melhorias.

Diante do gráfico que criamos, é possível analisar que o Brasil mantém uma relação entre impostos e IDH abaixo da média, representada pela reta. Ou seja, quando comparado com países com carga tributária próxima a nossa, o Brasil deveria entregar um melhor retorno a sua população (IDH).

Se tivéssemos um eficiência média do dinheiro arrecadado, o Brasil, com seus de 34.3% de carga tributária, deveria ter um IDH de aproximadamente 0.827 (maior do que o de países como Portugal, Polônia e Hungria). No entanto, a realidade mostra a ineficiência do dinheiro arrecadado e Brasil apreseta um IDH de 0.718, pior do que o do Equador.

A comparação com países que sabem utilizar os seus impostos de forma eficiente é ainda mais impressionante e incômoda. A Alemanha, que tem um carga tributária três pontos percentuais maior do que a do Brasil (de 37% e 34% do PIB, respectivamente) consegue fornecer aos seus cidadãos um IDH de 0.905, que é 26% maior do que o IDH brasileiro.

Alguém poderia argumentar que países como a Alemanha têm um PIB per capita muito maior e que, desta forma, seria possível fornecer mais serviços aos seus cidadãos com uma mesma carga tributária, o que é verdade. Por isso, é necessário compararmos também o Brasil com países que tem PIB per capita similares ao brasileiro.

Neste sentido, o que o gráfico anterior ainda mostra é que países com PIB per capita próximo ao brasileiro, como Cazaquistão e a Romênia conseguem melhores resultados: carga tributária menor e IDH maior.

O mais surpreendente é que até países com PIB per capita um pouco menor do que o brasileiro, como Peru e Sérvia, conseguem obter, novamente, IDH maior do que o brasileiro, com menos impostos. Ou seja, estes paíse conseguem fazer mais com muito menos impostos, sobre uma população mais pobre. A tabela a seguir reúne os dados citados.

Portanto, o governo brasileiro cobra muitos impostos, mas como não sabe utilizar de forma eficiente os seus recursos ele acaba fornecendo serviços de baixa qualidade aos seus cidadãos.

Não é atoa que teremos um pífio crescimento do PIB em 2012. Para crescer mais em 2013 (e mais do que o recém-divulgado crescimento de 0,6% do PIB no 3º trimestre), é necessário arrumar as ineficências do aparelho estatal para reduzir a carga tributária e ainda assim fornecer serviços de maior qualidade para os brasileiros.

Post em  parceria com Daniel de Lima e Leonardo de Siqueira Lima , graduandos pela EESP-FGV.

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Um Estado pesado

Por Samy
12/12/12 11:06

Muito se tem comentado acerca do intervencionismo do governo, exagerado, na opinião de
muitas pessoas. Mas como ocorre esse intervencionismo, o que tanto se comenta sobre a
Petrobras e o setor elétrico?

Em primeiro lugar, vale esclarecer que o governo vigente, principalmente as figuras mais
importantes na área econômica, tem mais inspiração keynesiana do que novo clássica
ou austríaca, o que significa que é mais favorável a intervencionismos do que ao livre
funcionamento do mercado.

Eles partem da ideia de que a regulação de setores estratégicos, como o de energia, pode
gerar mais bem-estar e estimular mais o crescimento do país.

Como se sabe, o governo é acionista majoritário da Petrobras, assim pode tomar a maior parte das decisões à revelia dos acionistas minoritários.

Nos últimos meses, o governo optou por não elevar o preço da gasolina e outros combustíveis para evitar que a inflação atingisse patamares muito elevados. No entanto, tal medida compromete o lucro da empresa em questão, prejudicando a distribuição de dividendos sobre suas ações, o que gera profunda insatisfação entre os acionistas e queda das ações.

A própria presidente da companhia, Graça Foster, anunciou no final de outubro, rebatendo
críticas a esse respeito, que seu compromisso não é somente com os acionistas, mas também com o país.

Keynes vs. Hayek

Com relação ao setor elétrico, a limitação das tarifas através de uma Medida Provisória da
presidente tornou inviável a renovação da concessão por parte de muitas empresas. Isso
porque a receita que conseguiriam com as novas tarifas seria insuficiente para tornar viáveis muitos de seus projetos e investimentos, o que limitaria sua operação.

Nesse setor em específico, há o que os economistas chamam de monopólio natural, uma vez
que os investimentos iniciais são absurdos e os custos marginais baixos, assim é frequente
uma regulamentação do governo sobre seu funcionamento. No entanto, nota-se que a mais
recente ação dessa regulamentação tem prejudicado não só a lucratividade, mas também o
funcionamento do setor.

O Estado dá sinais de que não quer ser mais um mero regulador da atividade econômica…

Serve como exemplo de sua crescente atividade, também, as operações para manter o câmbio em um patamar estável, que têm incomodado muitas pessoas, até mesmo exportadores, que, teoricamente, se beneficiariam disso.

Resta, então, a pergunta: é isso que nós, cidadãos, queremos?

 

Post em Parceria com Giovana Carvalho, graduanda em Economia pela FGV-EESP

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Instrumentos financeiros nº13: Previdência Complementar Aberta

Por Samy
12/12/12 02:46

Os planos de previdência complementar são instrumentos financeiros destinados a acumulação de recursos no longo prazo. Servem como uma espécie de poupança forçada que visa garantir um futuro mais tranquilo, independente da Previdência Social, administrada pelo governo.

No Brasil existem duas modalidades de previdência complementar. A previdência aberta, destinada a qualquer investidor e a previdência fechada, destinada a grupos, como funcionários de empresas, por exemplo. Atualmente, o maior fundo de previdência fechada é o PREVI – Caixa de Previdência dos Funcionários do Banco do Brasil.

Os planos de previdência aberta, objeto deste artigo, vêm crescendo muito em nosso país, segundo dados dos órgãos de regulação. Um dos motivos deste crescimento é o déficit da Previdência Social, ou seja, para manter o mesmo padrão de vida é fundamental ter outra fonte de recursos que não a Previdência Social.

Os dois principais planos de previdência aberta existentes em nosso país são o PGBL e o VGBL.

PGBL (Plano Gerador de Benefício Livre) – Ideal para o investidor que faz declaração completa de IRPF, pois permite deduzir o valor das contribuições da base de cálculo do IRPF, com limite de 12% da renda bruta anual. O IRPF incide sobre o valor total resgatado.

VGBL (Vida Gerador de Benefício Livre) – Ideal para o investidor que faz declaração simplificada de IRPF. O IRPF incide apenas sobre os rendimentos.

 Veja a seguir um exemplo de como funciona a dedução fiscal no PGBL. Considere uma pessoa com renda anual de 200 mil reais, por exemplo, que poderá aplicar 24 mil reais em um PGBL e excluir esse valor do total sobre o qual vai incidir a alíquota de imposto de renda na declaração de IRPF.

Em relação à acessibilidade do pequeno investidor, existem planos que admitem aportes em torno de R$ 50 por mês, desmistificando a ideia de que é preciso muita disponibilidade financeira para adquirir um plano de previdência privada. De modo geral, esse instrumento é bastante democrático.

Uma das principais vantagens dos planos de previdência é a possibilidade de planejamento da sucessão familiar. Os planos permitem o direito de escolha dos beneficiários, permitindo ao titular do plano indicar quem receberá o saldo acumulado no caso de sua morte, sejam herdeiros diretos ou não.

O principal custo é a taxa de administração, que serve para remunerar o administrador dos planos de previdência. Além da taxa de administração, muitos planos de previdência privada sofrem a incidência da taxa de carregamento, percentual que incide sobre todos os aportes efetuados.

Seguem comparativos de rentabilidade de planos de previdência a título de ilustração:

Perceba-se, pela tabela acima, que os custos mais altos de administração e carregamento implicam em rendimentos bem menores.

Basicamente, o investidor, antes de optar, por uma previdência privada deve se indagar se os custos (carregamento e administração) são menores que os benefícios fiscais que não teria caso fizesse aplicações de longo prazo por conta própria.

A tributação pode seguir dois regimes, que o investidor opta no momento da adesão ao plano: o regime progressivo e o regime regressivo.

No regime de tributação progressivo, a tributação segue a tabela progressiva mensal do imposto de renda pessoa física, com as faixas atualizadas anualmente, conforme segue:

Já no regime de tributação regressivo, existe vantagem tributária caso o investidor permaneça no plano durante um horizonte de tempo maior, uma vez que as alíquotas vão diminuindo de acordo com o tempo de aplicação, como mostra a tabela abaixo:

Bons Investimentos!

Post em parceria com Alex Del Giglio que é graduado em economia pela USP com extensão em finanças pela ESC Bordeaux e mestre em Administração pela FGV. Responsável pela área educacional da Prime Finance Investimentos AAI Ltda com sede em Manaus.

 

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Queda das transações em SP reflete o exagero no preço cobrado por imóvel

Por Samy
10/12/12 13:53

As recentes crises imobiliárias ao redor do mundo têm provocado receio em grande parte dos investidores.

As “bolhas imobiliárias”, responsáveis pela preocupação, estão relacionadas ao colapso da demanda especulativa. No caso brasileiro, agentes que adquiriram imóveis para venda futura -especuladores- começam a notar o exagero nos preços.

A patamares elevados, poucos conseguem vender. No entanto, nenhum especulador aceita o baixo preço de mercado. Ofertam imóveis acima do que pagaram mesmo não tendo compradores, provocando queda no número de unidades vendidas.

Além disso, grande parte dos investidores e construtoras sabe que quedas no preço podem gerar pânico suficiente para que se inicie uma catástrofe de vendas resultante em cotações ainda menores.

Para contornar essa situação, as imobiliárias, que precisam gerar caixa, criam meios alternativos de atrair compradores sem reduzir o preço anunciado, como o oferecimento de descontos e promoções milagrosas.

Mas essas técnicas de marketing não conseguem manter a demanda aquecida por muito tempo e não tarda para que o volume de transações comece a cair, dando os primeiros anúncios de colapso especulativo.

Dados do Conselho Regional de Corretores de Imóveis de São Paulo indicam forte redução desse volume. O relatório mais recente, de setembro, aponta recuo de 32,27%.

Apesar disso, houve aumento de preços, o que confirma a vontade de especuladores e imobiliárias de manter os preços anunciados sempre em alta a despeito da queda da demanda.

Sabe-se que a desaceleração ainda não é acentuada, mas os primeiros indícios já estão se fixando. Resta aguardar que os preços retornem a um nível mais negociável e coerente, compatível com o novo cenário da demanda.

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